sábado, 30 de maio de 2015

sex on fire

agarra as minhas pernas
envolvidas na tua cintura
o teu pescoço em frente à minha boca
as minhas mãos nos teus ombros
as tuas costas a servir-me de recosto
o teu cheiro dentro dos meus pulmões.
quero pousar a minha testa no teu trapézio
aperta com força, segura-me
leva-me para fora daqui
agora, já
rasga-me o corpo
parte-me as costelas à força de as agarrares
aperta-me as jugulares até ficar sem ar,
pisa-me a pele por não a conseguires transgredir
possuiu-me, tem-me
sou tua




quinta-feira, 28 de maio de 2015

sobre 15 de julho de 2014, escrito a 11 de maio de 2015

chegámos, despimos a roupa,
deitámo-nos na cama enquanto
a banheira enchia, para
depois nela entrarmos e
recostar, com as pernas
entrelaçadas e os braços
deixados cair um no
outro. O tempo parou e a
água esfriou e eu lavava
a tua cabeça, com as
minhas mãos em concha
e via as gotas escorrer-te
pela nuca, o teu pescoço
tenso, tocava-te sem demoras,
a espuma repousava nos
nossos ombros, a pele dos
dedos ia encolhendo,
mas o tempo estava
parado para nós, e não
houve relógio que o fizesse
andar outra vez, os
deuses éramos nós e nós tínhamos
o tempo nos pulsos e o mundo
nos pés e a alma na água



terça-feira, 26 de maio de 2015

a verdade nua e crua

é que penso em ti, e mais do que era suposto por esta altura. três meses desde que fodi contigo, três meses desde a última vez que fodi alguém. e até há bem pouco tempo, sempre pensei que serias tu a bater o teu próprio recorde. hesitei, porque esperei por ti. esperei pela noite que me telefonasses e me convidasses para um café (só os dois). esperei até às tantas da madrugada, de todas as vezes que estivemos juntos, pelo momento em que dissesses para ficarmos os dois um bocadinho antes de ir embora. esperei por todas as vezes que me meti contigo, por todas as vezes que a tensão no ar nos derrubou, esperei e desesperei, porque me fazias rir e o tempo nas minhas memórias dessas ocasiões contigo passa em câmara lenta e vejo o teu olhar e no fundo dele vejo o que tenho dentro de mim, um fogo qualquer que chama por ti. esperei, porque de todas as noites que passei e de todas as palavras que disse e ouvi, as que passei contigo foram as melhores, as mais marcantes, porque ainda sinto a tua cara pousada tão levemente no meu peito, ainda sinto o teu cheiro, a textura dos teus cabelos nos meus dedos enquanto te aconchegava junto de mim, a querer beijar-te tanto, e tu roubavas-me a coragem toda para o fazer, intimidavas-me com a tua personalidade, essa que me permitia fazer piadas sobre tudo e nada. esperei pela cumplicidade e intimidade, porque cinco minutos depois de ter implorado que me fodesses e de teres recusado fazê-lo no banco de trás do carro senão por cinco segundos, depois de me teres dado mais prazer com os dedos do que alguma vez senti com o que quer que seja, agíamos como se nada fosse, e estava tudo tão bem entre nós como se fôssemos amigos de longa data e tivéssemos regressado de um café. esperei pura e simplesmente porque sempre que decidia não esperar, lembrava-me da forma como me agarraste no pescoço quando me beijaste e o apertaste ligeiramente, mas foste tu quem ficou sem o ar. esperei quando me recordei de ti deitado na cama em agonia e ainda assim a tentar fazer-me vir, quando eu te perguntei se gemias por prazer ou dor, e tu respondeste que pelos dois. esperei por todas as vezes que dizias que o amor não existia, e eu queria desesperadamente provar-te que estavas errado. esperei porque não me deste alternativa, e sempre que começava a deixar de querer esperar, aparecias invisível e viravas o meu mundo ao contrário só com a tua presença.
esperei sempre consciente de ti

[escrito a 10.05.2015, inacabado]