segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

fuck with another girl (and you)

Reparei nela no dia em que a vi pela primeira vez. Depois esqueci-lhe as feições, o riso e não pensei mais nos seus olhos.
Quando a voltei a ver, não senti que me fosse familiar, sequer. Desejei ser apresentada, mas não fui. Fiquei a olhar para o corpo dela a mexer-se ao ritmo da música, a reparar-lhe nos pormenores.
Só mais tarde a reconheci.
Tal como eu, ela quer-te. E eu também a quis, secretamente, a partir daquele momento. A fantasia começa a deixar-se cair vagarosamente, mas quando soube que ela partilhava do meu interesse pelo teu corpo moreno, ainda a quis mais.

Parte de mim quer que ela te tenha só para ela (uma parte que me é nova). Outra parte quer tê-la só para mim. Mas a grande parte quer que os três partilhemos uma cama, os mesmos lençóis e a mesma incessante destruição de desejos.


Love (2015), de Gaspar Noé

domingo, 10 de janeiro de 2016

you're the broken one but I'm the only one who needed saving

Hoje estou em paz.
Estou como um corpo que repousa e flutua num oceano de águas quentes.

Espero as ondas numa quietude desconfiada, vejo as chuvas entrarem pelo mar e encherem-me a alma.

Hoje sou sereia sem vontade de te cantar, e não me importo que outra ninfa te leve por uns tempos, desde que te abrace sem te fazer recear ainda mais a água.

Apenas desejo ter-te ao meu lado da forma que tens estado. A falar-me do que se passa, a fazer-me rir e ensinar-me a completar as tuas piadas. E talvez um dia me faças dançar contigo. Só desejo que continues a confiar em mim e me deixes encorajar-te em direção à recuperação de um passado traumatizante.
Finalmente aceitei que o poder de cura talvez não esteja em mim. Não me importo. Só quero que fiques bem, e que continues a fazer com que esta amizade cresça.

Para já, ainda consigo respirar sem me afogar.



sábado, 9 de janeiro de 2016

something has to change, something has to give

I made a silent vow to protect you from the world, never realizing I was the one who would end up hurting you the most. When I flash forward my heart breaks, mostly because I can't imagine you speaking of me with any sort of pride, how could you? Noble in thought, weak in action.


Tomar decisões, sejam de que tipo for, às tantas da madrugada, é sempre desaconselhável. Somos influenciados pelo nosso próprio estado de consciência e isso deve assustar toda a gente. Mas todas as minhas decisões são tomadas por estas horas e talvez esse seja o problema. No entanto, espero que a que estou a tomar neste momento se revele a correta no meio de todas as más decisões que tenho tomado no último ano. Estou perdida, mais no que não sinto do que no que sinto, porque do que sinto eu tenho noção.
E esta decisão pode significar o final ou uma pausa neste blog - também pode resultar numa atualização ainda mais frequente. Eu não sei, porque só hoje me apercebi de que esta deve ser a única saída do labirinto.
Vou parar. Vou ficar sozinha.
Já, por várias vezes, estive para me considerar ninfomaníaca, mas depois entendi que a minha obsessão pelo sexo é mais mental do que física. O meu corpo continuava insaciável depois de me envolver com seja quem fosse. Eu continuo sem respostas, sem saber o que quero, sem tudo. Contudo, sei que só uma pessoa realmente conseguia matar o desejo que eu tentava que outros substituíssem. E é sobre essa pessoa que escrevo maior parte de tudo o que já foi postado aqui. Só lhe toquei intimamente uma vez, e provavelmente assim será para sempre.
Sempre tive receio de me tornar uma daquelas pessoas frustradas que envelhecem com uma experiência na memória que nunca lhes deixa realmente viver ao máximo todas as outras possibilidades. Nunca entendi como isso pudesse acontecer, como é que uma pessoa pode deixar que algo morra assim, e como pode deixar que isso mesmo continue a viver dentro de si. Com o tempo, comecei a ver melhor todos os sinais evidentes. E, entretanto, chegou a minha vez. Foi a minha vez de criar uma dessas memórias-fantasma. O meu problema é que não me conformo e não quero ser perseguida por isto durante anos. E cada vez mais sinto que é isso que vai acontecer. Ao tentar chegar-me a esta pessoa, ainda a consegui afastar mais. Em todo o tipo de situação que se deve evitar eu fui-me emaranhando mais e mais até chegar aqui. Magoei a pessoa que mais precisava de paz.

O que eu quero fazer... eu não quero lutar. Passei meses e meses a lutar sem saber pelo quê, por uma esperança que me iludiu sempre. Agora, quero apenas fechar os olhos descansada à noite. Quero sentir paz, estabilidade. E ninguém nos pode dar isso a não ser nós próprios.

Eu sempre distingui a minha personalidade do meu corpo. O meu corpo com as suas vontades próprias, com as suas necessidades desesperantes. E sempre o saciei na esperança de o silenciar por uns tempos. No meio disto, perdi-me. Deixei de perceber quem tentava saciar, afinal. E de todas as vezes que lutei contra o meu corpo, perdi. Ou melhor, desisti. Deixei-me vencer pela parte de mim que só me dava um conforto de segundos para logo me atormentar pelo sentimento de culpa.

Agora... vou rescindir do meu corpo, fazê-lo aguentar. Vou entrar na luta a sério. Vou tentar substituir o suor de outros corpos pelo meu próprio, e a exaustão do sexo pela exaustão de correr. Vou hidratar-me por mim. Algo há de mudar. E algo há de dar.
Não vou lutar por uma pessoa que, tal como eu, não está preparada. Vou aproveitar as palavras de amizade e os risos. E o meu corpo irá silenciar. Cansei de gritar por dentro, cansei de rejeitar o corpo errado.


Dei por mim a fazer o contrário de tudo o que tinha estabelecido e grito que "chega". Não culpo ninguém a não ser a mim própria.


Este tipo de sentimento é tão, mas tão perigoso. Cheguei, por diversos momentos, a pensar que a única maneira de o combater será através da distância física. Dou por mim a pensar que se um dia isto não passar, terei de mudar de país, para o mais longe quanto conseguir, para afastar as energias que me envolvem. Sei que estava disposta a ir muito longe. E não sei se quero ir a algum lado.

Mas vou rescindir deste corpo, ou desta parte da minha personalidade que se apodera dele para satisfazer os seus desejos mais profundos. O meu corpo que não tem culpa de nada, que vai sofrer o desgosto de não sentir a carne humana perto de si, que vai sentir o desespero de querer um pouco de saliva.
Mas parece-me ser a única saída. A única saída de mim mesma: preciso de me purificar de mim própria. Vou afogar estes demónios em tudo o que encontrar que tenha a capacidade de os sufocar. E sei que no meio disto tudo vou perder outra parte de mim, ou a maior parte de mim. Vai ficar muito para trás, vai ficar muito por se fazer e dizer, muitos beijos por dar, muita pele por tocar. Mas parece-me a única saída, a única forma de quebrar com o desespero.

Não sei se com esta decisão estou a lutar pela pessoa ou por mim, mas parece-me o mais correto a fazer-se. Já estou assustada comigo mesma, já estou a sentir-me falhar. Uma parte de mim já está a chorar e a sentir a morte chegar-lhe injusta e impiedosamente. Isto trata-se de sacrifício, de entregar uma parte pela outra.


Contudo, eu sou o tipo de pessoa que não acredita que determinada música passar no exato momento em que ligamos o rádio seja coincidência. Eu não acredito que os meus sentimentos sejam apenas uma ilusão por corresponder.
Ele foi o meu demónio, o meu anjo, o meu salvador. Resgatou-me de cair na escolha fácil para combater a solidão. Eu abri os olhos a tempo por ver por dentro das minhas pálpebras o seu corpo. E é verdade que também ignorei a sua presença durante muito tempo, mas agora... hoje... hoje sabia a algo diferente. Venha ele a ser meu, ou não, ele está comigo por uma razão que me ultrapassa. Sempre que quiser olhar para o lado, vou esperar ver-lhe a figura. Sempre que quiser ceder, vou contar com uma memória há muito esquecida que me assalte e me faça parar. Se o Universo me atirou para aqui, me empurrou para um chão poeirento e me deixou a sangrar, foi por uma razão. E eu não vou seguir em frente enquanto não aprender. A dor será certamente tão forte que custará lidar com ela, mas chegou a hora.

Tudo o que tenho de fazer é entregar-me a este momento e agarrá-lo com unhas e dentes.
E no final, tudo correrá bem. Dê para o que der.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

I've heard it said that satisfaction is the death of desire.

A minha omoplata direita fica sempre ligeiramente vermelha, tal como o braço esquerdo.
Os meus músculos pisados e os ossos contraídos.
Debaixo da água sinto-me no meio de chuva quente e, despida, deixo-me queimar. Acho que me esqueci de quem sou, que perdi completamente a minha personalidade. Mergulho e respiro um ar denso cheio de expectativas, dúvidas e questões que nem sequer me lembro de colocar.
Como é que nos voltamos a encontrar?