quinta-feira, 29 de outubro de 2015

what happened here

finalmente


foste

mal disseste adeus

simplesmente foste
com as tuas atitudes de retorno ao passado
eu retornei ao meu estado de não te querer mais
e não posso garantir que não voltarás,
mas estás bem longe

e


serás sempre o meu unfinished business
se calhar digo melhor:
my unfinished lover

de todas as formas que te amei silenciosamente
de todas as formas que a paixão me esgotou o corpo
e de todas as formas em que não existiu forma de me existires

unfinished love(r)

que (feliz ou infelizmente)
não se aguentou o ano

(por mais que eu tenha dito come on)


não me toques mais agora

não me olhes mais
não me queiras sequer

mantém-te fora da irrealidade que vivemos para sempre

o meu estado ainda é frágil,
ainda quebra com o toque

fica só longe como estás
não voltes mais

pelo menos para não ficar



quarta-feira, 14 de outubro de 2015

beyond the sea

beijámos com Sinatra como fundo

a noite embalou a música e o ambiente deixou-se cair
ficaste com os olhos escuros devido à dilatação das pupilas
eu molhava os lábios com a língua enquanto ela te chamava

a tua febre acalentava as minhas pressas
as tuas mãos relaxavam-me o corpo
e beijámos até o mar recuar

no vento lunar aceleravas e eu
sorria estupidamente sem conseguir desfazer as rugas de expressão
enquanto me davas a mão entre reduções de mudanças

despedi-me nas gotas de chuva e
arranquei deixando as folhas outonais para trás
liguei o rádio e deixei que a noite se prolongasse em mim

até hoje



terça-feira, 29 de setembro de 2015

don't come through, baby, you never do

o corpo sente quando chegas
e sente-se assim que vais

e quando acordo de madrugada
dou por mim a gemer por ti
no sussurro da tua presença
que cessa de alguma vez aparecer

o meu corpo sabe quando chegas
e sabe perder-te o sabor sempre que vais


a ponta da minha língua arde por sal
o sangue escorre-me delinquente pelas veias
e o suor percorre-me abandonado
nesta pele onde os teus dedos só tocam
nos sítios errados