sexta-feira, 18 de setembro de 2015

e, como um adolescente, tropeço de ternura por ti

começo a reparar na forma despenteada do teu cabelo mal sais do banho; as tuas costas curvadas sob um comando de consola; a tua nuca onde desejo sempre passear os meus dedos; decorei a tua maneira de pegar no telemóvel, numa caneta, num garfo; começas a rir genuinamente ao pé de mim; partilhamos horas na mesma cama, mas não nos tocamos (será medo? será receio?). continuo a querer o teu corpo dentro do meu como tenho querido desde há meses. ainda escrevo as mesmas palavras nas mesmas páginas brancas. nunca pensei que fosse possível voltar a apaixonar-me desta forma. tão platónica, inconsciente e desesperadamente.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

insatisfação

querer sempre um pouco mais de ti
pode e vai
dar cabo de mim

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

looking for you

algo
[alguém]
me diz que o lugar do universo
é tão existencial quanto a tua localização

a luz repousa ausente
[apagada]
enquanto me dispo
e os lençóis cobrem o meu corpo nu
descubro que na imensidão
na total grandeza
já não estás no meu corpo
[não tanto]
mas em tudo para além da carne
dos ossos, da pele, do sangue

e por aí ficas a explorar
todos esses lugares secretos que jurei
não deixar ninguém tocar sem as tuas mãos