terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

o lume, o fumo, o perfume, o cheiro

tu fumas à janela, olho para ti espelhado nela
a noite é longa e dentro dela a chuva pinta uma aguarela
somos tu e eu, só tu e eu


e é quando me tocas que eu sei por que é que eu ainda não te ultrapassei


sono tenso, sonho intenso, entre nós só fumo denso



eu vejo-te despido, dou-te um beijo corrompido
a alma grita num gemido, o som do desejo corroído
somos tu e eu, só tu e eu.
tu e eu, só tu e eu.
olho para ti e sinto-te perdido
nesse lugar de fantasia indefinido
e pedi que não tivesses nunca ido
mas no meio da súplica toda o resultado foi o mais temido

o lume, o fumo, o perfume, o cheiro
o lume, o fumo, o perfume, o cheiro
o lume, o fumo, o perfume, o cheiro
o lume, o cheiro

e agora que navegas no paraíso
eu piso este caminho impreciso
e levo-te comigo indeciso
enquanto te grito que és tudo o que preciso

toco a tua pele com as mãos quentes
passo a língua pelos teus lábios e uso os dentes
e no meio dos demónios insistentes
nós os dois somos corpos coerentes


falas e dizes que te pertenço
fecho os olhos e já não penso
sono tenso, sonho intenso
entre nós só fumo denso
fumo denso, só fumo denso
fumo denso


3 comentários:

  1. Eu não consigo ler apenas uma vez os teus textos, tenho sempre que os ler até ficar umas quantas vezes, enchem-me tanto o coração!

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