quinta-feira, 16 de abril de 2015

alguém que me foda

Regulo a temperatura da água. O corpo escalda, a água esfria-o.
Preciso de uma pele que se encoste à minha e a ela se funda. Preciso de sentir a carne contra a carne, a língua contra o pescoço, os dentes contra o ombro, as unhas contra as costas. Preciso de sentir a expiração de uma pessoa a interromper um beijo urgente, de ver a sua boca abrir-se lentamente para soltar um gemido, de ver os seus olhos fechar como se isso aliviasse a pressão do corpo. Há em mim uma vontade imensa de me inclinar sobre uma superfície e deixar-me ser fodida, uma vontade de agarrar umas coxas que rocem nas minhas enquanto lhes limitam o espaço, uma vontade de pousar as minhas mãos num peito de forma a encontrar equilíbrio. Todo o desejo em mim se afunda e todo o desejo em mim recorda.



quarta-feira, 8 de abril de 2015

-te

Já não penso em foder(-te)
Como (te) pensava antes.
Agora hesito(-te)
Recuso(-te)
E não (te) penso.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

2 a.m.

Um homem a agarrar-me nesta cama, deitado comigo, enrolados os nossos corpos nus, no meio dos lençóis. Simplesmente abraçados, quietos no escuro, a preencher a solidão, a matar a carência, um homem que me apertasse nos seus braços, e movesse levemente os dedos num afago à minha pele, sentir a respiração leve no meu pescoço, enquanto adormecíamos na quietude do luar. A simplicidade de não se estar sozinho na noite, o desejo de nos sentirmos incompletos na companhia de outra pessoa.