domingo, 7 de agosto de 2016

close your eyes, it's like I never left you

deixaste a forma do teu corpo nos lençóis e quando me voltei a deitar ainda estavam molhados
o teu perfume hipnotizou-me em sonhos

a palma das minhas mãos ainda me sabe a ti
não me lembro de adormecer, mas sei que foi com a tua voz no meu ouvido

já tinha esquecido de como beijas
e de como o orgasmo sabe melhor enquanto gemes num sussurro para mim

o mais provável é que não tenhamos sido feitos um para o outro, que nunca consigamos compreender completamente todas as palavras que trocamos, que estejamos sempre com os nossos passos descoordenados
mas

o teu corpo fala a mesma língua que a que uso para te percorrer o peito
e quando nos juntamos numa coreografia de ritmos sabemos cada movimento intrinsecamente
despidos chegamos ao exponente máximo do toque

nunca te cheguei a esquecer
e pouco tentei


ecstasy


nunca será suficiente
e terás sempre de ficar mais uma noite
mais uma tentativa

falhar só nos aproxima

és a droga
a reabilitação

as minhas veias dilatam

traz-te para mim


quinta-feira, 4 de agosto de 2016

way down we go

em todo o asfalto por onde rastejámos
por todo o céu de trovoada lá fora

levei-te no álcool que me enchia o copo, na luz que me entorpecia a visão
guardei a lingerie branca durante meses na gaveta e só agora me sinto impura o suficiente para a utilizar

ele quase me parte os ossos de cada vez que me toca
com a mesma força que eu continha quando te tocava a ti
e descarrega em mim a mesma energia incontrolada que eu reprimia antes

já beijou mais do meu corpo
já me teve da forma que eu nunca te consegui dar

mas só as tuas mãos sabem o caminho
só a tua pele queima na minha
e ainda és o único capaz de me fazer sufocar sem medo

contudo

(porque há sempre um "no entanto")

a forma como eu desaparecia à tua volta
como me sentia anulada pela tua presença
como deixava de me ver num espelho onde duas pessoas posavam


onde respirar já implicava premeditação

esperar destruiu-me
- destruiu-nos -

tudo porque nunca chegaste como te esperei

e eu cada vez menos chego onde tu me esperas


e nenhum de nós entende

-

não esperamos nada


domingo, 17 de julho de 2016

baby, you weren't there and I was thinking of you when I came

--- as always.


e aconteceste
no silêncio interrompido pela lembrança
na minha boca selada pela tua ausência

de cada vez proibi que me voltasses a assaltar
mas regressas quando o corpo já não se segura
quando a água já queima
quando ele dorme comigo deitada sobre o seu peito

voltas para me lembrar
que não é assim que se deita
não é assim que se ama

não me atrevo a repousar com ele ao meu lado
nem tão pouco consigo abrandar o ritmo da minha respiração

tenho receio porque sei
eu sei que no dia em que conseguir adormecer com outra pessoa o meu subconsciente vai fazer com que regresses aos meus sonhos
de onde para já te ausentas

---

no momento em que o universo se concentra no meu corpo são as imagens que tu deixaste em mim que rolam como flashback na minha mente
foda-se, foda-se, foda-se
não estás lá
e é para ti
e sempre contigo

que eu me venho

---

I told you I was trouble
you know I'm no good



--- I like trouble