domingo, 12 de julho de 2015

quando ele chega e chama por mim

Até que voltas, até que proteges, até que te pões à minha frente, lanças aqueles olhares, é minha, mas não tocas, não dás, só observas, e quase dizes sem dizer, e não há nada que goste mais e odeie tanto.
Porque sou tua sem ser, e ninguém sabe, porque não fazes de mim o que gostarias e eu não faço de ti meu, porque não és.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Este amor é de guerra. (De arma branca).

Amas como arma branca
ilegal
abismal
fatal.
Cortas como navalha
a pele como dentes
Rasgas como pistola
o corpo como pólvora
Espancas como soqueira
os músculos como pressão

Vens de faca na mão
Exiges o tecido despido
Provas o sabor esquecido
E nas gotas de suor que escorrem
Vês vermelho e desordem.
E as sinapses dão-se
quando sentem o estímulo
de me destruíres no massacre
(tão necessário
tão exigente
tão egoísta)
de existires.

domingo, 5 de julho de 2015

mas não quero depender mais de ti, nunca mais

É que depois sinto um vazio, uma falta. De ti, do que costumávamos ser. Estás comigo e contigo consigo esquecer o outro, o mundo, só para me lembrar da tua outra, do teu mundo, de como costumava ser difícil e doer. Falas comigo até eu adormecer e depois somos desconhecidos na rua, atendes-lhe o telefone e chamas-lhe pelo nome, que me custa tanto ouvir, o nome que não é o meu, não é por mim que chamas.
Fico assim, triste por nós, sem que o amor cá esteja, sem que queira que ele reapareça, sem perceber por que te quero. Acima de tudo, sem perceber por que não te recuso.
Depois sinto uma solidão tão grande que parece que nunca dela sairei.